terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Então, é natal

O pinheiro natural aqui de casa e eu :)

Já é 21 de dezembro, agora falta pouco para o Natal. Quando eu era criança esperava por essa data o ano inteiro, fui ansiosa na infância, tanto quanto sou hoje.
Eu me perguntava o que eu iria ganhar, se o Papai Noel viria ou se ficaria bravo por algo que fiz no decorrer do ano. Eu acreditava muito em Papai Noel, tudo que é fantasia me animava e ainda me anima.
O que me faz lembrar que muitas crianças no mundo não tem essa chance de sonhar na infância. Eu gosto de pedir coisas boas antes do Natal. Faz eu sentir que esse blogger, não é algo tão fútil.
Então, para começar, vou pegar um trecho de um livro que estou lendo:

"— Mas por que não? Os médicos são humanos, eles se enganam. — Eu tinha perdido a conta de quantas vezes minha mãe desconsiderava as opiniões de um colega supostamente renomado: “Aquele ali? Eu não o consultaria nem para tratar uma unha encravada!”. Mas Ozren só balançou os ombros e não me respondeu.
— Você tem as imagens de ressonância magnética dele, ou pelos menos tomografia? A imagem por ressonância mostra muito mais, ela...
— Cale-se, Hanna, por favor. Eu disse que não.
— Engraçado — falei —, não consigo imaginar você acreditando nessas baboseiras,  insha’Allah, mentalidade fatalista.
Ele saiu da cama, deu um passo em minha direção, segurou meu rosto entre as mãos e se aproximou tanto de mim, que seus traços de zanga pareciam até fora de foco.
— Você — ele disse; e a voz mais parecia um sussurro contido. — Você é que é consumida por baboseiras.
Aquela súbita ferocidade me assustou. Eu me afastei.
— Você — ele prosseguiu, agarrando meu punho. — Todos vocês, do mundo seguro, com seus  air bags, e suas embalagens hermeticamente fechadas e suas dietas livres de gordura. Vocês é que são os supersticiosos. Vocês se convencem de que podem tapear a morte, e se sentem absolutamente ofendidos quando descobrem que não podem. Vocês ficam sentados em seus apartamentos confortáveis e assistem à guerra, e nos vêem sangrando, pela televisão. E pensam: “Que horror!”, e depois se levantam e tomam outra xícara de café expresso.
Estremeci quando ele disse aquilo. Era uma descrição corretíssima. Mas ainda não havia acabado. Ele estava tão zangado que chegava até a cuspir.
— Coisas ruins acontecem. Algumas coisas muito ruins aconteceram comigo. E eu não sou diferente de mil outros pais nesta cidade cujos filhos sofrem. Eu convivo com isso. Nem toda história tem um final feliz. Cresça, Hanna, e aceite isso."

 Geraldine Brooks, As memórias do livro, páginas 46 e 47


Isso que coloquei aqui explica claramente o que quero dizer, milhões de pessoas sofrem por milhões de problemas diferentes, e achamos sempre que o nosso problema é o pior. E a verdade é que não é algo errado, apenas nascemos em situações diferentes de outras pessoas espalhadas pelo mundo. 
Mas seria demais pedir para todos refletirmos sobre o que acontece ao nosso redor sem olhar para nossa unha quebrada ou nosso reflexo no espelho? É natal, e o correto é fazer isso: pensar no próximo.
Quando terminar de ler esse texto pense o quanto você vive bem, e o quanto você é feliz com sua casa não tão boa, ou suas roupas não tão caras. E se você os tem, melhor ainda. Pense o quanto você é feliz, simplesmente pense.
Por que eu sou feliz e sei disso.

UM FELIZ NATAL PARA TODOS OS MEUS LEITORES!
Que tenham muita paz, muitos sorrisos e alegrias e que o que há de melhor no mundo esteja ao lado de cada um.

Beijos, Alessandra Jungs de Almeida.

Um comentário:

  1. Concordo contigo, Alessandra! Aliás teu post tem um pouco a ver com o que escrevi lá no blog. Ficar chorando a nossa dor é prolongá-la, em nós, e no mundo. Pelo menos nesse momento, saiamos de nós mesmos e olhemos para o lado. Se houver sofrimento, que a reflexão que fizermos seja acompanhada da ajuda que pudermos oferecer. Beijo e feliz natal pra você!

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